Cuidado com os empréstimos particulares

Recebeu uma proposta de empréstimo particular?

Uma oferta que parece não exigir muita burocracia pode agravar uma situação financeira que já seja vulnerável.

O Banco de Portugal emitiu um alerta público sobre a suposta concessão de crédito fácil, no qual explica os riscos deste tipo de empréstimo e os cuidados a ter.  Saiba quais são os conselhos do Banco de Portugal e proteja-se.

Os empréstimos particulares oferecem, à primeira vista, uma solução fácil, que muitas vezes é apelativa para pessoas com uma situação financeira instável. Se é o seu caso, tenha cuidado e não aceite estas ofertas antes de verificar se a pessoa ou empresa que oferece o empréstimo, está na lista de entidades autorizadas a conceder crédito em Portugal.

Ofertas ilegais

Em muitos casos, as entidades financiadoras que oferecem estes serviços não estão dentro do sistema bancário, e através destes empréstimos podem cometer crimes de  irregularidades, usura, burla, fraude fiscal, ameaça e extorsão, alerta o Banco de Portugal no comunicado oficial.

Em muitos casos, estas entidades “têm como único objetivo receber o pagamento do crédito concedido, acrescido de taxas de juro anuais que chegam a ultrapassar 300%, ou a aquisição definitiva da propriedade dos bens móveis e imóveis, por um valor bastante inferior ao seu valor de mercado”, explica o alerta lançado pelo Banco de Portugal. 

Precisa de ajuda?

Se tiver dúvidas, pode ainda recorrer à Rede de Apoio ao Consumidor Endividado.

Clique aqui e consulte a lista das entidades habilitadas à concessão de crédito em Portugal

Se contratar este tipo de empréstimo corre o risco de perder o dinheiro que cedeu a estas entidades não autorizadas, de forma irreversível. No caso dos cheques pré-datados, poderá ver-se obrigado a negociar com o banco acordos de pagamento para fazer face aos adiantamentos de dinheiro feito por estas instituições, no caso de não ter saldo suficiente para suprir essas dívidas.

Onde posso encontrar estes anúncios de crédito fácil?

Estas entidades têm um alvo: pessoas que já têm uma situação financeira instável e que precisam urgentemente de dinheiro para a resolver. Esteja atento aos anúncios publicados em jornais, nas redes sociais ou nas caixas de correio. Na maior parte das vezes, estas entidades prometem ajudá-lo de forma rápida e sem necessidade de grandes burocracias.

Tenha ainda atenção que estas entidades geralmente não negoceiam, mas definem de forma indiscutível todos os valores incluídos na concessão desse mesmo crédito: valor do empréstimo, prazos de pagamento, taxas de juro, comissões e as garantias do devedor.

Provavelmente, estas entidades poderão pedir-lhe como garantia parte do seu património, como o automóvel ou a casa. Não é obrigado a sair da casa, mas em caso de incumprimento das prestações mensais, a opção de recompra deixa de ser válida e pode deixar de ter direito a recuperar ou a utilizar o imóvel.

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Tenha ainda em atenção:

  • As ofertas de crédito privadas podem não ser feitas diretamente pela pessoa que concede o empréstimo. Nesse caso, é provável que exista uma entidade intermediária que vai sugerir-lhe uma proposta alternativa de financiamento junto de particulares
  • Estes empréstimos são apresentados como uma proposta séria e, acima de tudo, simples de concretizar. Em muitos casos, o intermediário vai assumir a preparação da documentação necessária à concretização do negócio
  •  No caso da concessão de crédito por troca de cheques, estas entidades mutuantes procedem ao levantamento, em bloco, dos cheques entregues pelos clientes, antes da data prevista. Caso a conta bancária não esteja aprovisionada, poderá ficar em situação de incumprimento com o banco em questão e será obrigado a pagar comissões
  • Na maior parte das vezes, os intermediários não têm um estabelecimento fixo, o que pode dificultar a continuidade do contacto com os clientes
  • Em caso de um eventual incumprimento, poderá acontecer que sejam utilizados métodos agressivos de cobrança de dívidas

Quando se trata de uma entidade sem supervisão financeira, o objetivo é obter benefícios de uma forma ilegal e, principalmente, aproveitar-se da situação de especial necessidade das pessoas.  

A reter:

Tenha muita atenção com este tipo de empréstimos particulares. As propostas podem parecer tentadoras, mas o que parece uma solução, pode transformar-se rapidamente num pesadelo.

Com estas ofertas que parecem fáceis vêm, a maior parte das vezes, empréstimos com juros muito elevados, que exigem garantias (tal como o carro ou a casa), e ainda que podem exigir a emissão de cheques pré-datados. Por isso, tenha muito cuidado para não perder o património que lhe resta.

Informe-se junto do Banco de Portugal, para perceber qual a melhor solução de crédito, ou utilize a nossa ferramenta de comparação de crédito pessoal para ficar a conhecer as melhores ofertas.

Em Portugal, a atividade de concessão de crédito, seja em que modalidade for, prevista na alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (RGICSF), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 298/92, de 31 de dezembro, está reservada às entidades habilitadas, conforme o disposto no artigo 10.º do mesmo diploma.