Saiba como escolher um bom Plano Poupança Reforma – PPR

O Plano Poupança Reforma (PPR), tal como sugere o termo, é uma poupança com o objetivo de garantir alguma estabilidade financeira, a partir da idade da reforma. Ao contrário de uma poupança comum, à qual poderá recorrer quando sentir mais necessidade, os fundos que aplicar no PPR valorizam ao longo do tempo, através dos juros.

Segundo a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), os PPR podem assumir a forma de fundo de investimento mobiliário, de fundo de pensões ou, igualmente, de fundo autónomo de uma modalidade de seguro do ramo «Vida». Podem ser comercializados sob três formas distintas: contrato de seguro do ramo «Vida», fundo de investimento e fundo de pensões.

A procura desta modalidade de poupança é cada vez mais procurada pelos portugueses, refere o jornal económico ECO, que revela que só em 2018 foram aplicados 3,5 mil milhões de euros em seguros PPR. Este valor representa um aumento de 55% face ao registado em 2017.

Apesar deste aumento, apenas um em cada três portugueses escolhe os PPR como forma de poupar para a idade da reforma, avança igualmente o ECO.
Os depósitos a prazo tradicionais continuam a ser o plano de poupança mais escolhido pelos portugueses.

O seu fundo PPR pode ser reforçado com uma periodicidade única (semestral ou anual, por exemplo) ou numa data pré-definida. Relativamente à capitalização destes fundos, é possível lembrar que pode ter acesso ao dinheiro antes do tempo aconselhado, mas terá de pagar uma comissão de resgate antecipado.

Quando devo pedir um PPR?

A idade da reforma em Portugal, sem penalizações, está fixada nos 66 anos e 5 meses. A escolha do melhor Plano Poupança Reforma (PPR) para o seu caso vai depender do número de anos que faltam até chegar à idade de reforma.

Se está longe da idade da reforma, é aconselhável procurar um Fundo PPR, com uma maior componente de ações. Por outro lado, se está perto de chegar à reforma e pretende fazer um PPR, ainda vai a tempo, mas prefira um fundo com menos risco, para que consiga ter mais valorização num espaço de tempo mais curto.

Qual devo escolher? Seguros ou Fundos PPR?

Se procurar um PPR, encontrará dezenas de opções, com vários tipos de investimento e valorização, que podem ser subscritas nos bancos, sociedades e até em seguradoras. Por exemplo, poderá escolher entre um Seguro PPR ou um Fundo PPR, sendo que este último tem maior probabilidade de valorizar, contudo, uma menor rentabilidade. Por outro lado, os seguros PPR têm menor rentabilidade, mas a valorização do capital a longo prazo está garantido.

Tenha em atenção que o Fundo PPR vai ter alguns riscos associados, pois a maioria está exposto a ações. Os especialistas recomendam que se opte por um PPR que tenha uma exposição entre 20% a 25% do total do fundo.

Independentemente do tipo de PPR que escolher, esteja sempre atento à informação sobre a valorização, que deverá estar disponível nos relatórios(anuais ou semestrais) que receber sobre o PPR.

Antes de subscrever um PPR, e no momento em que lhe for apresentado o documento com todos os detalhes, tenha especial atenção aos seguintes pontos:

  • Perfil de risco (qual o risco associado ao PPR);
  • Exposição acionista (percentagem do fundo de investimento que é gerida pela participação bolsista);
  • Exposição obrigacionista (percentagem do fundo de investimento gerida por obrigações);
  • Subscrição ou Encargos (valor das comissões de subscrição e do fundo de gestão, se for o caso);
  • Reembolso (eventuais penalizações associadas);
  • Tributações (associadas aos reembolsos);
  • Identificação da Entidade Gestora (qualquer entidade gestora de PPR’s deverá estar registada no Banco de Portugal, ASF e na CMVM).

O que acontece se quiser mudar?

Se não estiver satisfeito, pode sempre pedir transferência para um outro tipo de PPR, sendo que a comissão de transferência é, no máximo, de 0,5% e apenas nos PPR com garantia de capital. Os PPR sem garantia de capital não aplicam comissão de transferência.

Comissões, Reembolsos e Penalizações

Os PPR têm dois tipos de comissões associadas: comissão de subscrição e comissão de gestão de fundo. A comissão de subscrição é o que paga para subscrever o PPR e para efetuar reforços. Por exemplo, se a taxa de subscrição for de 2% e subscrever 2.000€ pagará 40€ de comissão de subscrição, ou seja, o seu valor inicial investido no PPR será de 1060€.

Por outro lado, a comissão de gestão é a comissão diluída anualmente na rentabilidade do fundo do PPR. Por exemplo, se o PPR que escolher tiver uma rentabilidade de 9% e a comissão de gestão de fundo for de 1%, a sua valorização será de 8% sobre o montante investido, isto significa que, investiu 1060€ no PPR e no fim do primeiro ano terá 1.144,8€.

No caso dos reembolsos, só será possível pedir um resgate antecipado sem penalizações nos seguintes casos:

  • Se chegar à idade da reforma;
  • No caso de se encontrar numa situação de desemprego ou incapacidade laboral comprovada;
  • A partir dos 60 anos, se o PPR tiver sido subscritos há mais de cinco anos.

Como qualquer outro produto financeiro, e seja qual for o Plano PPR que escolher, deverá ler atentamente o folheto informativo dado pela entidade financeira. Se conhecer todas as condições do produto que está a subscrever, conseguirá fazer uma escolha informada e reduzir o risco a longo prazo, usufruindo da melhor forma da sua reforma.