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Comparar eletricidade em 2026: como escolher a tarifa mais barata para a sua casa

Comparar eletricidade parece uma tarefa simples até se abrir a primeira fatura. Entre potência contratada, termo de energia, ciclos horários e descontos condicionados, dois tarifários com preços por quilowatt-hora quase iguais podem dar faturas bem diferentes no fim do mês.
Este artigo explica como comparar tarifários de eletricidade com o consumo real da sua casa, o que a ERSE concluiu em outubro de 2026 sobre as diferenças de preço no mercado, e como usar a tarifa regulada para medir se o contrato que tem hoje ainda faz sentido.
Porque é que o preço médio da eletricidade não é o seu preço
A informação que circula sobre eletricidade em Portugal é quase sempre sobre médias: o preço médio no mercado livre, o preço médio no regulado, a variação média do mercado grossista.
Nenhuma dessas médias é a sua fatura. A sua fatura depende de quatro coisas que são só suas: a potência que tem contratada, o consumo que faz, o ciclo horário em que está e a data em que assinou o contrato.
Esta última é a mais ignorada e, em 2026, provavelmente a mais cara. Quem assinou um tarifário de preço fixo durante a crise energética pode continuar a pagar o preço desse período, muito depois de o mercado ter arrefecido.
O que a ERSE concluiu sobre o mercado livre e a tarifa regulada
Em outubro de 2026, a ERSE publicou a segunda edição do relatório sobre a evolução dos preços médios faturados e das margens comerciais no mercado retalhista de eletricidade, com análise do período entre 2021 e 2025.
O relatório tem duas conclusões que só fazem sentido lidas em conjunto.
A primeira: desde meados de 2023, os preços médios faturados pelos comercializadores de último recurso, que praticam a tarifa regulada, estão sistematicamente abaixo dos preços médios cobrados no mercado livre. A diferença atingiu o máximo no terceiro trimestre de 2024 e tem vindo a reduzir-se, sobretudo ao longo de 2025.
A segunda: em todos os trimestres de 2025, existiram no mercado livre ofertas comerciais mais baratas do que a tarifa regulada, entre 20% e quase 40% das ofertas disponíveis, consoante o trimestre e o perfil de consumo.
Como é que as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo? Porque o preço médio pago não é o preço das ofertas disponíveis. A ERSE é explícita: a diferença revela a existência de muitos consumidores com contratos antigos, mais caros do que as novas ofertas comerciais, e sugere “alguma inércia dos consumidores quanto à mudança de comercializador”. O regulador recomenda renegociar os contratos ou procurar ofertas mais vantajosas.
Há ainda um dado do mesmo relatório que ajuda a perceber o fenómeno: em 2025, 98% da eletricidade vendida a clientes domésticos no mercado livre foi contratada a preço fixo. O preço fixo dá previsibilidade, mas também mantém o cliente no preço do dia em que assinou.
Quanto se pode poupar ao comparar eletricidade
A ERSE conclui que há sempre ofertas abaixo da tarifa regulada, mas não publica quanto é que isso vale em euros na fatura de cada casa. O que é público e verificável é a própria tarifa regulada, e é ela que lhe serve de régua.
Desde 1 de outubro de 2026, na opção simples acima de 2,3 kVA, o comercializador de último recurso cobra 0,1711 euros por quilowatt-hora. O termo de potência, em vigor desde janeiro, depende da potência que tem contratada.
| Potência contratada | Termo de potência por dia | Custo por ano |
|---|---|---|
| 3,45 kVA | 0,1917 € | 69,97 € |
| 4,6 kVA | 0,2499 € | 91,21 € |
| 5,75 kVA | 0,3079 € | 112,38 € |
| 6,9 kVA | 0,3659 € | 133,55 € |
| 10,35 kVA | 0,5397 € | 196,99 € |
Valores com tarifa de acesso às redes incluída e sem IVA.
Comparar tarifários de eletricidade para a sua casa
Com estes números há duas contas a fazer.
A primeira é ao preço da energia. Divida o valor da energia da sua fatura pelos quilowatt-hora que consumiu e compare o resultado com os 0,1711 euros. Se o seu preço está acima, está a pagar mais do que a tarifa regulada, e segundo a ERSE existiram, em todos os trimestres de 2025, entre 20% e quase 40% de ofertas abaixo dela.
A segunda é à potência contratada, e é a que quase ninguém faz. Baixar de 6,9 para 3,45 kVA poupa 63,58 euros por ano só no termo fixo, sem mudar nada no consumo. De 10,35 para 6,9 kVA são 63,44 euros. De 5,75 para 3,45 kVA são 42,41 euros.
Repare no que esta segunda conta tem de diferente: não depende de mudar de comercializador nem de negociar seja o que for. Depende apenas de a casa contratar só a potência que necessita.
Os quatro dados que precisa antes de comparar
Comparar eletricidade sem estes quatro dados é fazer uma estimativa. E as estimativas tendem a favorecer o tarifário que já tem.
- A potência contratada, em kVA. É a parte da fatura que se paga todos os meses, haja consumo ou não. Vem identificada na fatura. Muitas casas têm potência a mais, herdada de equipamentos que já não existem, e baixá-la reduz a fatura sem mudar nada no consumo.
- O consumo em kWh. É o número central de qualquer comparação. Use o consumo de vários meses, não de um só, porque o inverno e o verão são diferentes. Se a fatura for por estimativa e não por leitura real, comunique a leitura antes de comparar.
- O ciclo horário. Tarifa simples, bi-horária ou tri-horária. Numa tarifa simples, o preço é igual a toda a hora. Nas outras, há períodos mais baratos. A tarifa bi-horária só compensa se conseguir deslocar uma parte significativa do consumo para o período de vazio, tipicamente à noite e ao fim de semana.
- A data do contrato atual. Se tem mais de dois anos, o mercado mudou desde então. É o indicador mais simples de que vale a pena comparar.
O que distorce as comparações de eletricidade
Há quatro armadilhas que fazem com que o tarifário mais barato no papel não seja o mais barato na fatura.
Descontos condicionados. Muitos preços anunciados já incluem descontos que dependem de débito direto, fatura eletrónica, permanência durante doze meses ou contratação de um segundo serviço. Se não cumprir a condição, paga o preço de tabela. Compare sempre o preço que vai pagar de facto, não o preço da montra.
Pacotes de luz e gás. Juntar os dois serviços pode compensar, e muitas vezes compensa. Mas um desconto na luz que obriga a contratar gás que não precisa não é um desconto, é um agregado mais caro com um número mais bonito à frente.
O termo fixo esquecido. A comparação centra-se quase sempre no preço do quilowatt-hora e ignora o termo de potência. Em casas de consumo baixo, o termo fixo pode pesar mais do que a energia consumida.
Preço indexado contra preço fixo. O indexado acompanha o mercado grossista, o que pode sair mais barato em períodos de preços baixos e mais caro quando o mercado dispara. Não é melhor nem pior: é uma escolha entre previsibilidade e exposição. Quem não quer ver a fatura oscilar deve preferir preço fixo, sabendo que, em troca, precisa de rever o contrato com mais frequência.
Mercado livre ou tarifa regulada: qual escolher
A tarifa regulada é praticada pelos comercializadores de último recurso e é fixada pela ERSE. O mercado livre é o conjunto dos comercializadores que definem os seus próprios preços.
A conclusão do relatório da ERSE não é que um seja melhor do que o outro. É que o preço médio pago no mercado livre tem estado acima do regulado, e ao mesmo tempo existem sempre ofertas do mercado livre abaixo da tarifa regulada.
Na prática, isto significa três coisas.
Se está na tarifa regulada e nunca comparou, é provável que haja ofertas mais baratas disponíveis para o seu perfil.
Se está no mercado livre com um contrato recente e comparado, provavelmente está bem.
Se está no mercado livre com um contrato antigo que nunca reviu, é o caso em que a diferença tende a ser maior, e é o perfil que o relatório da ERSE descreve quando fala de inércia.
A tarifa regulada funciona como referência útil: se o que paga hoje está acima dela, há seguramente margem para melhorar.
Como mudar de comercializador de eletricidade
A mudança é mais simples do que a maioria das pessoas espera, e é o receio do processo, mais do que o processo em si, que trava a decisão.
Não há alteração física em casa. A rede de distribuição é a mesma, o contador é o mesmo e não há corte de fornecimento. O que muda é a empresa que lhe emite a fatura.
É o novo comercializador que trata do processo junto do anterior, depois de ter o seu número de identificação do ponto de entrega, o CPE, que consta da fatura.
Verifique se o contrato atual tem período de fidelização e qual a penalização por saída antecipada, e confirme se há leitura de contador a comunicar na data da mudança, para a fatura de fecho ficar correta.
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Perguntas Frequentes
Com que frequência devo comparar eletricidade?
Pelo menos uma vez por ano, e sempre que o contrato de preço fixo chegue ao fim do período contratado. Se o contrato tem mais de dois anos, compare agora.
Mudar de comercializador implica ficar sem luz?
Não. Não há interrupção de fornecimento nem intervenção técnica em casa. A rede e o contador mantêm-se.
Qual é o preço do kWh mais barato em Portugal?
Não existe uma resposta única, porque o preço final depende da potência contratada, do ciclo horário, do consumo e das condições associadas à oferta. Um preço por quilowatt-hora baixo combinado com um termo de potência alto pode dar uma fatura mais cara do que uma oferta com o kWh ligeiramente mais caro.
A tarifa regulada é sempre mais barata?
Não. Segundo a ERSE, em todos os trimestres de 2025 existiram ofertas do mercado livre mais baratas do que a tarifa regulada, entre 20% e quase 40% das disponíveis. O que o relatório conclui é que o preço médio efetivamente pago no mercado livre está acima do regulado, o que é diferente.
Posso voltar à tarifa regulada depois de ir para o mercado livre?
Sim. O regresso ao comercializador de último recurso é possível, mediante as condições de acesso aplicáveis. Confirme-as antes de decidir.
Vale a pena baixar a potência contratada?
Em muitas casas, sim, porque o termo de potência é pago todos os meses independentemente do consumo. A preços da tarifa regulada, baixar de 6,9 para 3,45 kVA poupa 63,58 euros por ano e baixar de 10,35 para 6,9 kVA poupa 63,44 euros, sem alterar nada no consumo. Convém confirmar primeiro que a potência mais baixa suporta os equipamentos que usa em simultâneo, para não ficar com disparos frequentes.
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